Poucos ensinamentos transformaram tanto a vida dos crentes quanto a redescoberta do que o Novo Testamento chama de autoridade do crente. Poucos ensinamentos também foram tão abusados, distorcidos e mal aplicados. Tanto a redescoberta quanto a distorção ocorreram em grande parte no mesmo século — a corrente pentecostal do século XX devolveu ao corpo de Cristo mais amplo um ensinamento que o cristianismo institucional havia em grande parte esquecido, enquanto ao mesmo tempo vários extremos dentro dessa corrente levaram o ensinamento além do que as Escrituras realmente dizem. Discernir um do outro importa porque é a verdadeira herança do crente em Cristo que está em jogo.
Este artigo percorre cuidadosamente o que a Bíblia diz sobre autoridade — de onde ela veio, como foi perdida, como Cristo a recuperou, o que Ele deu ao seu corpo, o que devemos fazer com ela e, igualmente importante, quais são os seus limites. O objetivo é o mesmo de todos os outros artigos neste conjunto: submeter-se ao que as Escrituras realmente ensinam, nem mais estreito nem mais amplo do que o texto.
A Autoridade Tem uma História
A história da autoridade sobre esta terra vai do Gênesis ao Apocalipse. Para entender a autoridade do crente hoje, precisamos ver onde ela começou.
O Domínio Original — Adão
E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre o gado, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.
— Gênesis 1:26 (ARA)
E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.
— Gênesis 1:28 (ARA)
Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos; sob os seus pés puseste tudo.
— Salmos 8:6 (ARA)
Quando Deus criou o homem, delegou a ele o domínio. A palavra hebraica radah significa governar, ter domínio. Adão recebeu autoridade sobre a terra — não como proprietário (a terra é do Senhor, Salmos 24:1) mas como mordomia, como governante sob Deus. A terra era o domínio de Adão. Este era o plano original.
A Transferência — A Queda
Então o diabo o levou a um alto monte e mostrou-lhe todos os reinos do mundo num momento. E disse-lhe o diabo: Todo esse poder e a sua glória te darei, porque foi entregue a mim, e a quem quiser eu o dou.
— Lucas 4:5–6 (ARA)
Esta é uma das passagens mais marcantes dos Evangelhos. Satanás oferece a Jesus os reinos do mundo, afirmando que "foi entregue a mim". Observe — Jesus não contradiz a afirmação. Satanás estava, em algum sentido real, detendo uma autoridade que originalmente era de Adão. Como ele a obteve?
Quando Adão desobedeceu a Deus no Éden, ele não apenas pecou — ele se submeteu a outra voz em vez da voz de Deus. Ele tratou a palavra de satanás como mais digna do que a de Deus. Ao fazer isso, ele transferiu o domínio que Deus lhe havia dado para aquele a quem escolheu obedecer. Este é um princípio que Paulo declara claramente:
Não sabeis que, se vos apresentais a alguém como escravos para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, seja da obediência para a justiça?
— Romanos 6:16 (ARA)
Adão apresentou-se a satanás em obediência. A autoridade acompanhou a obediência. A partir daquele momento, satanás passou a operar como o deus deste século (2 Coríntios 4:4, ARA) — não legalmente segundo o plano de Deus, mas legalmente no sentido de que Adão o havia entregado.
Cristo Veio como Homem
Este é o ponto crucial. Para recuperar a autoridade que havia sido perdida por um homem, outro homem precisava recuperá-la. É por isso que a encarnação foi essencial, não opcional.
Visto que, pois, os filhos participaram de carne e sangue, também ele, da mesma forma, participou das mesmas coisas, para que, pela morte, destruísse aquele que tinha o poder da morte, a saber, o diabo.
— Hebreus 2:14 (ARA)
Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou como usurpação o ser igual a Deus; antes, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens.
— Filipenses 2:5–7 (ARA)
Jesus não derrotou satanás como Deus exercendo poder divino sobre uma criatura. Ele derrotou satanás como homem — o segundo Adão — retomando o que o primeiro Adão havia perdido. É por isso que Jesus operou em seu ministério terrestre pelo Espírito, não pelo seu poder divino independente. Ele se esvaziou e viveu como homem plenamente dependente do Espírito. Ele nos mostrou como é um homem plenamente obediente a Deus e que autoridade tal homem pode carregar.
A Recuperação — Cruz e Ressurreição
E, despojando os principados e as potestades, os expôs publicamente e os levou em triunfo em si mesmo.
— Colossenses 2:15 (ARA)
A qual ele operou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o assentar à sua destra nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não somente neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.
— Efésios 1:20–23 (ARA)
Na cruz, Jesus tomou a reivindicação legal que satanás tinha contra a humanidade e a anulou. Na ressurreição, Ele ressurgiu não apenas vivo, mas vindicado, declarado Filho com poder. Ele ascendeu e foi assentado à destra do Pai — uma posição de autoridade total. Todas as coisas debaixo dos seus pés. E Ele deu essa autoridade à igreja, que é o seu corpo.
Este é o fundamento da autoridade do crente. Cristo a tem. Nós estamos nEle. Portanto, participamos dela.
Assentados com Cristo
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do seu grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.
— Efésios 2:4–6 (ARA)
Esta é uma das passagens mais decisivas para entender a posição do crente. Onde Cristo está assentado? À destra do Pai, muito acima de todo principado e potestade. Onde os crentes estão assentados, segundo Paulo? Juntamente com Ele. Feitos para assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.
Este não é tempo futuro. Paulo escreve isso como realidade já cumprida. Em virtude de estar em Cristo, o crente está posicionalmente assentado com Ele no lugar de autoridade sobre toda força espiritual.
A Autoridade Delegada
Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações…
— Mateus 28:18–19 (ARA)
Observe a lógica — Toda a autoridade me foi dada. Ide, portanto. O ir é amparado pela força de sua autoridade. A autoridade que Jesus tem, Ele delega aos seus enviados para a obra a que os envia.
Eis que vos dou autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos prejudicará.
— Lucas 10:19 (ARA)
Isso foi dito aos setenta que voltaram de uma viagem ministerial, rejoubilosos porque até os demônios lhes eram sujeitos. Jesus não chama isso de excepcional. Ele confirma como herança normal do reino para eles.
E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e eles ficarão curados.
— Marcos 16:17–18 (ARA)
Estes sinais seguirão os que crerem. Não apenas os apóstolos. Não apenas os que têm dons especiais. Os crentes. A autoridade é delegada ao corpo.
Como a Autoridade Opera
O Novo Testamento mostra a autoridade operando por três meios principais: o nome de Jesus, a palavra falada em fé e a oração.
O Nome de Jesus
Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu o nome que é sobre todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.
— Filipenses 2:9–11 (ARA)
O nome de Jesus é o nome acima de todo nome. Ele carrega a autoridade que o próprio Cristo carrega. Quando o crente fala ou age em seu nome, não é uma fórmula mágica — é o exercício legítimo de sua autoridade delegada.
E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.
— João 14:13–14 (ARA)
Os Atos registram isso em operação:
Então Pedro disse: Prata e ouro não possuo; mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.
— Atos 3:6 (ARA)
O coxo se levantou e andou. Não porque Pedro tinha poder. Porque Pedro exerceu a autoridade que lhe havia sido delegada em nome de Jesus.
A Palavra Falada em Fé
Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus. Em verdade vos digo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te ao mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que o que diz acontecerá, assim será com ele.
— Marcos 11:22–23 (ARA)
Esta é uma das passagens mais marcantes sobre a autoridade da palavra falada pelo crente. Observe — se alguém disser. E novamente — o que diz. A autoridade é exercida por meio do falar. Não suplicando. Não implorando. Não esperando. Falando com fé baseada no que Deus revelou.
A morte e a vida estão no poder da língua; e o que a cultiva comerá o seu fruto.
— Provérbios 18:21 (ARA)
As palavras do crente têm peso. Quando faladas em fé, em consonância com a palavra de Deus, na autoridade do nome de Jesus, elas realizam o que Deus autorizou.
Oração
E tudo o que pedirdes em oração, crendo, recebereis.
— Mateus 21:22 (ARA)
A oração é a comunicação do crente com o Pai, mas não é meramente um pedido passivo. É o alinhamento da autoridade do crente com a vontade do Pai e o exercício legal do que Cristo delegou.
Os Domínios da Autoridade
O Novo Testamento mostra a autoridade do crente operando em vários domínios específicos.
Autoridade Sobre os Demônios
E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios.
— Marcos 16:17 (ARA)
Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.
— Tiago 4:7 (ARA)
O crente tem autoridade sobre as forças demoníacas. Não porque o crente é mais forte — mas porque Cristo triunfou sobre elas e delegou esse triunfo ao seu corpo.
Autoridade Sobre a Enfermidade
E porão as mãos sobre os enfermos, e eles ficarão curados.
— Marcos 16:18 (ARA)
Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.
— Tiago 5:14–15 (ARA)
A cura flui por meio do exercício da autoridade do crente — imposição de mãos, unção, oração de fé. Estes não são apenas conceitos teológicos. São as operações reais da autoridade.
Autoridade Sobre as Circunstâncias
O monte de que Marcos 11 fala não é apenas um monte literal. É o obstáculo intransponível, a situação impossível, o bloqueio duradouro. O crente em fé pode dirigir-se a tais circunstâncias com autoridade e vê-las removidas.
Autoridade Sobre o Velho Eu
Sabendo isto: que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, a fim de que não sirvamos mais ao pecado.
— Romanos 6:6 (ARA)
Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus. Portanto, não reine o pecado em vosso corpo mortal.
— Romanos 6:11–12 (ARA)
O crente tem autoridade sobre a velha natureza, os padrões de pecado e as fraquezas persistentes — por meio da cruz, da nova identidade em Cristo e do capacitamento do Espírito. Esta é uma das aplicações de autoridade mais negligenciadas. Não precisamos ser escravos do pecado. Cristo nos deu autoridade sobre o velho homem.
O Que a Autoridade NÃO É
Isso é essencial. O ensino sadio se distingue do ensino distorcido aqui.
A Autoridade Não É Sobre a Soberania de Deus
O crente não ordena Deus. A autoridade opera dentro da vontade revelada de Deus, não acima dela.
E esta é a confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.
— 1 João 5:14 (ARA)
O qualificador segundo a sua vontade importa. A autoridade do crente é o exercício legítimo do que Cristo delegou, em consonância com o que Ele revelou. Não é capricho pessoal envolto em linguagem religiosa.
A Autoridade Não É Sobre a Vontade de Outras Pessoas
O crente não pode usar a autoridade para controlar ou manipular outras pessoas. Cada pessoa se mantém ou cai diante do Senhor. A autoridade se dirige a forças espirituais, enfermidades, circunstâncias — não ao livre-arbítrio moral de outros seres humanos.
A Autoridade Não É Presunção do "Confesse e Receba"
Muito mal tem sido causado por ensinamentos que retiraram a cruz do evangelho e transformaram a autoridade em uma varinha para servir a si mesmo. A autoridade do crente é para propósitos do reino — para a edificação do corpo, o avanço do evangelho, a libertação dos cativos, a cura dos enfermos, a destruição das obras do diabo. Não é uma máquina de satisfazer preferências pessoais.
A Autoridade Não É Coisa Leviana
O uso do nome de Deus e o exercício de sua autoridade delegada são assuntos sagrados. Os sete filhos de Ceva (Atos 19:13–16) tentaram usar o nome de Jesus sem genuíno relacionamento e autoridade — e foram espancados e ficaram nus diante do endemoninhado. O nome é real. A autoridade também é. Não são brinquedos.
Aplicação Prática
Para igrejas domésticas e pequenas comunhões, como é de fato andar na autoridade?
Receba a Verdade da Sua Posição
A autoridade opera a partir de uma compreensão consolidada de quem você é em Cristo. Leia Efésios 1 e 2. Leia Colossenses 1 e 2. Deixe o Espírito tornar essas passagens reais para você. Você não está suplicando a Deus pelo que Ele já deu. Você está andando no que Ele já proveu.
Ore com Autoridade
Quando orar, faça-o como filho ou filha do Rei a quem foi dada autoridade por meio de Cristo. Fale em seu nome. Enfrente os montes. Resista ao inimigo. Ate o que Ele atou, desate o que Ele desatou (Mateus 18:18, ARA).
Imponha as Mãos Sobre os Enfermos
A promessa não é "eles podem ficar curados." É eles ficarão curados (Marcos 16:18, ARA). Entre na prática. Imponha as mãos sobre os enfermos em sua comunhão, em sua família, nas oportunidades que Deus lhe der. A autoridade não é teórica — ela precisa ser exercida.
Confronte a Atividade Demoníaca
Onde o inimigo está operando — por meio de vícios, medo, opressão, tormento — o crente tem autoridade para confrontar, ordenar e ver a liberdade chegar. Muitos crentes têm vivido subjugados por coisas sobre as quais Cristo já lhes deu vitória, simplesmente porque ninguém lhes ensinou que tinham autoridade.
Fale Fé, Não Derrota
Observe suas palavras. A língua do crente é um dos principais instrumentos de autoridade. Falar derrota reforça a derrota. Falar fé — em consonância com a palavra de Deus — libera autoridade. Isso não significa negar a realidade; significa recusar-se a confessar contra o que Deus disse.
Opere como um Corpo
A autoridade opera com mais força por meio do corpo reunido do que por meio de indivíduos isolados.
Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles.
— Mateus 18:19–20 (ARA)
Uma igreja doméstica ou pequena comunhão que aprende a orar e exercer a autoridade juntos se torna uma força que o inferno leva a sério.
Perguntas Frequentes
Por que não vejo resultados quando exerço a autoridade?
Vários fatores entram em jogo. Fé — a autoridade é exercida pela fé, e a fé vem pelo ouvir a palavra (Romanos 10:17, ARA); crescer na palavra faz crescer a fé. Tempo — às vezes os resultados se manifestam imediatamente, às vezes após persistência em fé. Resistência — a oração de Daniel foi respondida imediatamente, mas a resposta foi retardada vinte e um dias por conflito espiritual (Daniel 10). Vontade — às vezes outras vontades livres estão envolvidas. Mistério — às vezes a resposta é "espere" ou "não", por razões que talvez nunca entendamos plenamente neste lado da eternidade.
O que não nos é permitido concluir a partir de orações sem resposta é que a autoridade não é real. As Escrituras dizem que é. A caminhada de fé sustenta a verdade das Escrituras e a experiência das circunstâncias presentes juntas, recusando-se a deixar que uma cancele a outra.
Isso não é apenas o ensino da Palavra da Fé?
Parte da linguagem aqui será familiar para os que já ouviram a corrente da Palavra da Fé — mestres que trabalharam para recuperar este ensinamento para o corpo mais amplo. O fundamento não está em nenhum mestre. Está no próprio Novo Testamento. Onde esses mestres se mantiveram próximos ao texto, serviram bem ao corpo. Onde os extremos se insinuaram (negando a cruz, a prosperidade como evangelho, a presunção disfarçada de fé), eles se afastaram das Escrituras e devem ser deixados de lado. A Bíblia é a autoridade final. O ensino sadio é sadio independentemente de quem o ensinou primeiro.
E quando a enfermidade é para a glória de Deus ou a perseguição é permitida?
As Escrituras mostram temporadas de sofrimento, perseguição e mesmo enfermidade física que Deus usa para seus propósitos. O espinho na carne de Paulo (2 Coríntios 12:7–10, ARA) é um exemplo frequentemente citado. A visão bíblica equilibra isso com o testemunho avassalador de que a cura é a herança normal do reino para o crente (Mateus 4:23–24, Marcos 6:56, Atos 5:16, ARA). O crente busca a cura em fé enquanto submete os resultados finais ao Senhor. O sofrimento pode vir por razões do reino, mas não é a expectativa padrão do crente.
Um novo crente pode andar na autoridade?
Sim. A autoridade não se baseia em anos de caminhada com o Senhor, mas na posição em Cristo. Os novos crentes devem ser discipulados para andar na autoridade desde o início de sua caminhada — impondo as mãos sobre os enfermos, enfrentando o inimigo, orando com fé, falando a palavra. A corrente pentecostal tem razão em insistir que a autoridade é para todo crente, não apenas para veteranos.
E se eu não tiver certeza se algo é a vontade de Deus?
Ore. Pesquise as Escrituras. Ouça o Espírito. Converse com crentes maduros. Há coisas claramente reveladas como vontade de Deus (o evangelho avança, os enfermos se curam, os cativos são libertados, o crente anda em vitória) e outras que exigem buscar o Senhor para orientação específica. Quando incerto, o caminho certo é muitas vezes: "Senhor, seja feita a tua vontade — e se há autoridade que posso exercer aqui, dá-me clareza para fazê-lo."
Considerações Finais
A autoridade do crente não é um tema avançado para especialistas espirituais. É a herança de todo filho de Deus nascido de novo. Foi perdida em Adão, recuperada por Cristo e delegada ao seu corpo para o avanço do reino. A redescoberta deste ensinamento produziu avivamento, milagres, curas, libertações e o amadurecimento dos crentes nas pessoas que sempre deveriam ser.
Também foi distorcida, abusada e torcida por alguns. O remédio para a distorção não é abandonar a doutrina, mas devolvê-la aos seus limites bíblicos — sob a soberania de Deus, em consonância com a sua vontade, para os propósitos do seu reino, com reverência pelo nome e pela autoridade que nos foi confiada.
Que andemos como aqueles que sabem o que nos foi dado. Que exercemos a autoridade não com orgulho, mas com a humildade dos que carregam uma confiança delegada. Que o reino avance por meio de igrejas domésticas e pequenas comunhões de crentes que aprenderam a fazer cumprir na terra o que Cristo realizou no céu.
E nos fez reis e sacerdotes para o seu Deus e Pai; a ele, glória e poder pelos séculos dos séculos. Amém.
— Apocalipse 1:6 (ARA)
Pontos Principais
- A autoridade na terra foi originalmente delegada por Deus a Adão (Gênesis 1:26–28, Salmos 8:6, ARA) e perdida na Queda quando Adão obedeceu a satanás
- Cristo veio como homem (o segundo Adão) para recuperar o que o primeiro Adão perdeu — a sua humanidade é essencial, não opcional, para a recuperação
- Na cruz e na ressurreição, Cristo despojou os principados e potestades (Colossenses 2:15, ARA) e foi assentado à destra do Pai, muito acima de tudo
- Os crentes estão posicionalmente assentados com Cristo nos lugares celestiais (Efésios 2:6, ARA) — a autoridade é posicional, não conquistada
- Cristo delegou a sua autoridade ao seu corpo (Mateus 28:18–20, Lucas 10:19, Marcos 16:17–18, ARA) para a obra do reino a que nos envia
- A autoridade opera por meio do nome de Jesus, da palavra falada em fé e da oração — exercida em fé, em consonância com a vontade revelada de Deus
- Os domínios incluem demônios, enfermidades, circunstâncias e o velho eu — em todo lugar onde o inimigo opera contra os propósitos do reino de Deus
- A autoridade NÃO é sobre a soberania de Deus, não é sobre a vontade das pessoas, não é presunção do "confesse e receba", não é coisa leviana — é uma confiança sagrada exercida para propósitos do reino
- As igrejas domésticas e pequenas comunhões que exercem a autoridade juntas carregam um peso que os indivíduos isolados não carregam (Mateus 18:19–20, ARA)
- Todo crente é convidado a andar nisso — os novos crentes devem ser discipulados para a autoridade desde o início de sua caminhada